sábado, 25 de julho de 2026

COMENTARIO LITURGICO - 17 DOMINGO COMUM - 26.07.2026

 

COMENTÁRIO LITÚRGICO – 17º DOMINGO COMUM – PARÁBOLAS DO REINO – 26.07.2026


Caros Confrades:


A liturgia deste domingo nos põe para reflexão três parábolas pronunciadas por Jesus Cristo para exemplificar, em linguagem popular, o objetivo primordial da sua missão, que era anunciar o reino de Deus e convidar todos a dele participar. São metáforas bastante curtas, mas de importantes significados, bem ao nível da compreensão das pessoas de poucas letras, por fazerem comparações com fatos do dia a dia daquele povo. O tesouro escondido, a pérola de grande valor e a rede lançada ao mar eram, sem dúvida, imagens bastante familiares aos galileus e assim ficava mais fácil transmitir para os ouvintes uma noção sublime e complexa, que somente vários anos mais tarde foi-se esclarecendo, através das doutrinas dos Padres da Igreja primitiva e formando os princípios teológicos hoje conhecidos.


Na primeira leitura, do primeiro livro dos Reis (1Rs 3, 5-12), lemos um episódio de grande simbolismo relativo ao reino de Israel, protagonizado por Salomão, o mais famoso dos antigos reis. De acordo com a tradição israelita, Salomão foi escolhido especialmente por Davi, seu pai, para ser o rei por ordem de Javeh, pois ele não era o primogênito. Agiu politicamente a mãe, Bethsabé, que convenceu o profeta Natan a obter a concordância do rei Davi, já bastante idoso na ocasião, e assim ele foi coroado. O herdeiro por direito era seu irmão Adonias, o primogênito, que fez veementes protestos por haver sido preterido. Salomão era muito jovem, quando começou a governar, e sentia-se muito inseguro. Porém, ele tinha sido uma escolha divina e foi assim que Salomão teve uma visão em sonho de Javeh, perguntando-lhe o que ele queria. A oração de Salomão pode ser vista como a oração da humildade e da confiança. Ele poderia ter “aproveitado” para pedir riquezas, poder, longo reinado ou outros bens sócio materiais, mas o que ele pediu e Javeh lhe concedeu foi a antológica sabedoria, que sempre o distinguiu e, com essa característica, ele reinou durante 40 anos. (Observemos aqui a presença da simbologia do número 40, não significando que o seu período de governo tenha sido matematicamente de 40 anos.) No contexto da liturgia deste domingo, a referência a Salomão é para mostrar que o seu reinado, de muita riqueza e prosperidade para o povo de Israel, era uma prefiguração do reino de Deus, que Jesus Cristo viria anunciar futuramente. Se o reino de Salomão, que era puramente terrestre, trouxe tantos bens e glórias para os israelitas, muito mais bênçãos e riquezas trará o novo Reino de Jesus Cristo.


Na segunda leitura, sequência da carta de Paulo aos Romanos (8, 28-30), o Apóstolo se refere ao “reino” com outro conceito - o projeto de Deus: “Sabemos que tudo contribui para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados para a salvação, de acordo com o projeto de Deus.” (Rm 8, 28) Este “projeto” não deve ser outro senão o plano de salvação, a redenção da humanidade trazida por Cristo, do qual a Igreja é o agente continuador. É nesse sentido que a Igreja configura o “reino” de Deus em preparação, o “reino” no meio de nós que já está presente, mas ainda não está na sua forma definitiva, a teoria teológica do “já e ainda não”. Através da atitude de pertença à comunidade eclesial, nós, membros da Igreja, fomos predestinados, somos chamados e justificados para, depois, sermos glorificados. O “projeto” de Deus, o plano de salvação são sinônimos do “reino”, daí porque insisto em que devemos entender o reinado de Cristo como um serviço aos irmãos, como Ele por diversas vezes ensinou aos seus discípulos. Lamentavelmente, ao longo do tempo, esse conceito de reino foi-se transformando no sentido literal e humano, levando ao extremo de se atribuir ao Papa uma coroa papal composta pela tríplice coroa real, que simbolizava o tríplice poder da figura de Cristo como Sacerdote, Profeta e Rei. Essa fusão de conceitos do “reino de Deus” com os reinos territoriais europeus, a partir da Idade Média, trouxe sequelas prejudiciais e indesejáveis, ainda hoje observadas, que são motivos de recusa de muitos intelectuais para aceitarem a doutrina cristã. E, lamentavelmente, há ainda muitos católicos saudosistas, tradicionalistas, que insistem nessa visão triunfalista da Igreja, incompatível com o autêntico projeto de Deus, a que se refere o apóstolo Paulo.


No evangelho de Mateus (Mt 13, 44-52), Jesus nos dá três exemplos bem simples e compreensíveis do que seja o “reino de Deus”, que Ele veio revelar para nós. São conhecidos como “parábolas do reino”. Antes de prosseguir, é importante fazer uma observação: Jesus não pronunciou essas parábolas num mesmo dia, assim em sequência conforme estão escritas no texto de Mateus. Trata-se de uma compilação de discursos proferidos e repetidos por Jesus ao longo dos seus anos de pregação, em diversas ocasiões, que os escritores dos evangelhos, por razões didáticas, preferiram assim organizar em seus textos. Obviamente, Jesus utilizava imagens que, na sua percepção, fossem mais condizentes com o dia-a-dia de cada grupo de ouvintes.


Na primeira metáfora, Ele diz: “O Reino dos Céus é como um tesouro escondido no campo.” A pessoa que o encontra, vende tudo o que possui para comprar aquele campo e ser possuidor daquele tesouro. Naquela época, as pessoas tentavam guardar escondidas as suas fortunas e, em caso de ameaça de invasões de povos inimigos, enterravam seus pertences de valor, para não serem saqueados. Isso era também comum nos sertões do nordeste anos atrás, antes de existirem os bancos, eram as famosas botijas. Hoje, não existem mais, porém, em outras eras, faziam todo sentido. Na segunda metáfora, diz: “O Reino dos Céus é também como um comprador que procura pérolas preciosas.” Ao encontrar uma pérola de grande valor, o comprador vende tudo para investir naquela encontrada. Ou seja, uma única pérola (o reino) vale mais do que o conjunto patrimonial de alguém. As imagens do tesouro e da pérola, comparadas ao “reino” indicam que todos os bens materiais de alguém têm valor insignificante, daí porque Jesus, em diversas ocasiões, sugeriu aos seus ouvintes que se desfizessem de tudo, para assim ganhar um prêmio na vida eterna. Dito de outro modo, quem descobre o “reino” de Deus logo percebe que tudo o mais é irrelevante, aderindo completamente àquele. Diante da grandeza do “reino”, todos os bens materiais ficam sem valor. Mas como toda comparação é imperfeita, o encontrador do tesouro e o comprador da pérola manifestam também uma ideia egoísta, assim como se o “reino” pudesse ser possuído totalmente por uma pessoa só, o que levou os teólogos do passado a ensinarem que cada um devia buscar a própria salvação individualmente. O conceito da salvação como algo realizado no meio da comunidade cristã só veio a se desenvolver após o Concílio Vaticano II.


Terceira metáfora: “O Reino dos Céus é ainda como uma rede lançada ao mar e que apanha peixes de todo tipo.” Levada a rede para a terra, os pescadores recolhem os peixes bons para os cestos e jogam fora os peixes corrompidos. A imagem da rede cheia de peixes tem uma conotação diferente das anteriores, por referir-se a uma situação de seletividade, dando a entender que nem todos estão aptos a pertencerem ao “reino”. Estes seriam talvez aqueles que pretendem obter o tesouro ou a pérola sem, contudo, se desfazerem dos seus bens terrenos, por isso ficam corrompidos e divididos e precisam ser excluídos do grupo dos eleitos. A parábola da rede de pesca guarda muita semelhança com aquela comentada no domingo anterior, no confronto entre o trigo e o joio: o primeiro será aproveitado, enquanto o segundo será lançado ao fogo. Essas imagens representativas de algo descartável a ser queimado eram “indiretas” que Jesus lançava contra os fariseus, que se misturavam com os autênticos seguidores dele, mas apenas com o objetivo de observá-lo, buscando um motivo para o acusarem. Durante muito tempo, essa imagem foi aplicada na teologia às pessoas que não fazem parte da Igreja Católica, como sendo aquelas destinadas ao castigo eterno. Felizmente, essa percepção exclusivista do “reino de Deus” foi superada pela teologia contemporânea, a doutrina atual tem insistido nisso em diversos temas, sobretudo quando trata do tema do ecumenismo: todas as pessoas que vivem a sua religião de acordo com a sã consciência, com convicção e seriedade, são aptas à salvação. Ainda há, contudo, muitas dissensões dentre os membros da hierarquia sobre o tema, porque a noção solipsista da salvação continua muito forte na mente dos católicos tradicionalistas.


A parte mais interessante vem agora, quando Jesus pergunta se todos entenderam. Eles respondem que sim, então Jesus completa: “todo o mestre da Lei, que se torna discípulo do Reino dos Céus, é como um pai de família que tira do seu tesouro coisas novas e velhas.” O evangelista não explica essa conclusão, que aparentemente está dissociada das parábolas apresentadas, porque os ouvintes de Jesus não eram mestres da Lei. Mas sabe-se que havia fariseus infiltrados. Então, Jesus, sabendo disso, lançava mão do discurso indireto: ainda há tempo para que os mestres da Lei se convertam para o novo “reino”, sendo capazes de conciliar os ensinamentos da Torah mosaica com a Boa Nova cristã. Através de outras passagens dos evangelhos, sabe-se que nem todos os fariseus se opuseram a Jesus, mas alguns se converteram e se tornaram seus discípulos, embora secretamente. Estes foram os que souberam retirar do seu tesouro familiar as coisas novas e velhas.


Que o divino Mestre nos conceda a sabedoria salomônica para não ficarmos apegados ao passado e sempre sabermos transformar velhas doutrinas em novas ideias, acompanhando a evolução da sociedade.


Com um cordial abraço.

Antonio Carlos

sábado, 18 de julho de 2026

COMENTÁRIO LITÚRGICO - 16 DOMINGO COMUM - 19.07.2026

 

COMENTÁRIO LITÚRGICO – 16º DOMINGO COMUM – PARÁBOLAS DO REINO – 19.07.2026


Caros Confrades:


Neste 16º domingo comum, as leituras escolhidas abordam a ação do Espírito Santo na nossa vida, seja através da forma de Sabedoria, como era no Antigo Testamento, seja na forma de sopro divino, como explica São Paulo, na epístola aos Romanos, quando diz que, na nossa fraqueza, não sabemos o que pedir a Deus nem como pedir, mas nesse momento, o Espírito intercede em nosso favor. Na leitura do evangelho de Mateus, a temática deste domingo se concentra nas parábolas do reino, os exemplos pedagógicos utilizados por Jesus Cristo, para simbolizar a nossa realidade definitiva, que já iniciamos nesta vida terrena, ou seja, o “Reino” que nos está assegurado pela sua ação redentora. Embora seja uma realidade futura, o reino já pode ser vivido na nossa condição atual, foi exatamente isso que Jesus veio nos ensinar.


Na primeira leitura, do livro da Sabedoria (12, 13-19), o autor sagrado faz o contraponto entre a força e a justiça. Dentro da mentalidade judaica antiga, ainda não se falava no Espírito Santo. Então, a Sabedoria é a figura que antecipa o Espírito, que foi revelado por Jesus tempos depois. A Sabedoria antiga se identifica com o próprio Javeh e este era visto como uma autoridade poderosa e ciumenta, que aplicava castigos aos que não acreditavam nele, mas julgava com clemência os crentes. Dentro dessa visão de justiça, Javeh era também complacente com os arrependidos, sempre disposto a perdoar os pecadores. Com isso, o hagiógrafo afirma que Javeh está ensinando como deve ser a aplicação da justiça pelas autoridades da sociedade: “Assim procedendo, ensinaste ao teu povo que o justo deve ser humano” (12, 19). Ou seja, a autoridade social deve sempre tomar como medida da justiça a regra da humanidade. Quanto a Javeh, contudo, o escritor sagrado afirma que “quando quiseres, está ao teu alcance o uso do teu poder” (12, 18), essa, porém, não é a regra a ser utilizada pelo governante da sociedade. No contexto do povo de Israel, a figura de Salomão é o exemplo mais acabado dessa forma sapiente de governar, ele que teve um reinado de muita riqueza e prosperidade, o qual foi tomado como uma prefiguração do reino de Deus, que Cristo viria anunciar futuramente. Se o reino de Salomão, que era puramente terrestre, trouxe tantos bens e glórias para os israelitas, muito mais bênçãos e riquezas trará o novo Reino anunciado por Jesus.


Na atual sociedade, soa impróprio o uso teológico do conceito de “reino”, porque é um estereótipo que transmite uma ideia de riqueza, de segregação, de ostentação e triunfalismo, não compatível com a imagem que a Igreja de Cristo deve demonstrar. É óbvio que essa terminologia se encontra no evangelho porque essa era a realidade social do tempo de Cristo, mas Ele próprio explicou diversas vezes que o reino d'Ele “não é deste mundo”, detalhe que ficou durante muito tempo esquecido pelas autoridades eclesiásticas e algumas delas, ainda hoje, mantêm essa visão triunfalista. Por essa razão, é sempre necessário referir-se ao “reino” de Deus entre aspas, a fim de caracterizar a autêntica figura que a Igreja deve apresentar. O Papa Francisco sempre agiu dessa forma e o Papa Leão também tem dado exemplos marcantes dessa nova forma de compreender o “reino”, com suas vestes simples, sua atenção com os mais pobres, andando de ônibus em vez de andar em carro oficial, fazendo refeições com os seus auxiliares de Roma, dando dessa forma o melhor exemplo de que o “reino” de Deus é de todas as pessoas, das pessoas comuns, retirando aquela barreira e aquele distanciamento que sempre houve entre as autoridades eclesiásticas e os demais cristãos.


A segunda leitura, de Paulo aos Romanos (8, 26-27), enfatiza a ação do Espírito Santo, que realiza, no Novo Testamento, aquelas ações que a cultura judaica apresentava com o título de Sabedoria, que se identificava com o próprio Javé. Os cristãos romanos eram os mais intelectuais das diversas comunidades gentias doutrinadas por Paulo. Bem versados na filosofia grega, Paulo explica aos cristãos romanos a ação própria do Espírito Santo, que intercede em nosso favor “com gemidos inefáveis”, ou seja, os romanos deveriam perceber o significado cristão do termo “espírito”, diferente da noção grega, que eles tinham. O “espírito grego” é sinônimo da racionalidade, da clareza lógica, da argumentação silogística; Paulo diz então que, ao contrário, o Espírito Santo se expressa com gemidos inefáveis, ou seja, com “palavras” que a razão não compreende, mas Deus, que penetra no íntimo dos nossos corações, sabe qual é a “intenção” do Espírito e, mesmo que nós não sejamos capazes de alcançar esse entendimento, o Espírito intercede por nós segundo o entendimento de Deus, e isso é o que importa. Paulo usa (vers. 27) o termo “santos” para significar os cristãos. Convém lembrar que o termo “cristãos” não era ainda de uso comum nessa época, pois fora criado na Igreja de Antioquia e ainda não havia se espalhado como conceito geral para indicar os discípulos de Cristo. Por isso, em suas cartas, Paulo usava o termo “santos”, ou seja, os que foram salvos por Jesus.


No evangelho de Mateus (Mt 13, 24-43), Jesus nos dá três exemplos bem simples e compreensíveis do que seja o “reino de Deus”, através de parábolas. Na primeira metáfora, Ele diz: “O Reino dos Céus é como um homem que semeou boa semente no seu campo. Enquanto todos dormiam, veio seu inimigo, semeou joio no meio do trigo, e foi embora.” A dicotomia trigo-joio tem sido muito invocada na tradição para indicar a distinção entre cristãos e não cristãos. Observemos que, no texto da parábola, quem semeou o joio no meio do trigo foi o “inimigo”. Mais adiante no texto (13, 36), os discípulos pedem a Jesus que explique a parábola para eles, então Jesus diz que o “inimigo” é o “diabo”. Mas, vamos com calma aqui. O diabo não é o demônio, o capeta, o satanás dos infernos. Na literatura ocidental, essas palavras carregam um significado terrível e são consideradas sinônimas. Mas, como disse, vamos com calma aqui, façamos antes uma análise etimológica. No texto grego, temos “ó speíras autá estin ó diábolos”, frase que São Jerônimo traduziu por “inimicus autem est diabolus” (o inimigo é o diabo). Porém, o vocábulo grego “diabolos” tem um significado bem diferente do diabo português. A palavra vem do verbo grego “diaballô”, que significa, espalhar (sementes e também espalhar boatos), caluniar, difamar. Então, o “diábolos” grego é o invejoso, o caluniador, o maledicente, o fofoqueiro. Não nos deixemos levar pelo símbolo cultural medieval que a figura diabólica representa, porque assim nos desviaremos do autêntico significado da mensagem de Cristo. E, com isso, devemos também vigiarmo-nos continuamente, para não sermos “diabólicos” nas nossas relações humanas.


Na segunda metáfora, Jesus diz: “O Reino dos Céus é também como uma semente de mostarda, que um homem pega e semeia no seu campo ” Embora se trate de uma semente bem pequenina, porém, ao germinar, tornar-se-á uma árvore frondosa, onde os pássaros virão pousar. O “reino” tem essa característica da transformação. Por menor que seja a nossa ação em favor do “reino”, o resultado será de grandes proporções, porque nós apenas plantamos, mas quem produz os frutos é o Espírito.


Terceira metáfora: “O Reino dos Céus é como o fermento que uma mulher pega e mistura com três porções de farinha, até que tudo fique fermentado.” A imagem do fermento é também muito significativa, porque ao se misturar com a massa, o fermento, que é usado em pequena quantidade, não mais se distingue dela, no entanto, os resultados são logo percebidos através do efeito da levedura, que faz multiplicar o seu volume. E completa o evangelista, dizendo que Jesus sempre falava ao povo usando parábolas, o seu modelo pedagógico preferido. De fato, os termos de comparação do “reino” com uma semente, uma planta, uma massa levedada, eram todas imagens familiares ao público ouvinte. Dizia o Padre Luiz Uchoa, meu professor de Bíblia no Seminário da Prainha, que essas parábolas não foram pronunciadas por Cristo numa mesma ocasião, assim em sequência conforme está escrito no evangelho de Mateus, mas foram proferidas e repetidas ao longo de diversas alocuções, de modo que ficaram guardadas na memória do povo. Só muito posteriormente, essas metáforas usadas por Cristo em ocasiões diversas foram recolhidas e colecionadas num mesmo escrito. Isso explica o motivo pelo qual os objetos de comparação muitas vezes não são similares. Por certo, de acordo com o momento e conforme a qualidade dos ouvintes, Jesus utilizava uns ou outros modelos, de maneira a causar sempre o melhor impacto. Foi isso que o tornou um pregador famoso, a quem todas as pessoas acorriam para ouvir.


Posteriormente. de forma reservada, embora nem sempre o evangelista relate isso, Jesus explicava detalhadamente as parábolas para os discípulos, pois sabe-se que eles não eram pessoas de grande cultura e, assim como os ouvintes em geral, muitas vezes não alcançavam o significado daqueles discursos. No evangelho em comento, Jesus explica apenas a parábola do trigo-joio, levando-nos a supor que o evangelista colocou esta explicação ali só como um exemplo. Num sentido trans-histórico, em cada época os leitores podem servir-se da pedagogia de Cristo para referenciar seus ensinamentos aos fatos cotidianos e é isso que faz com que o texto do evangelho seja sempre atual.


Que o divino Mestre nos conceda a sabedoria salomônica para sempre sabermos praticar a justiça com humanidade.


Com um cordial abraço.

Antonio Carlos

domingo, 12 de julho de 2026

COMENTÁRIO LITÚRGICO - 15º DOMINGO COMUM - 12.07.2026

 

COMENTÁRIO LITÚRGICO 15º DOMINGO COMUM - O SEMEADOR12.07.2026


Caros Confrades,


A liturgia deste domingo se concentra na eficácia da Palavra de Deus, que sempre se realiza entre os homens e não deixa de produzir seus efeitos. Assim diz o profeta Isaías, na primeira leitura, fazendo comparação com a chuva que cai do céu e para lá não volta, mas fecunda a terra. E o evangelista Mateus nos recorda a parábola do semeador, uma das mais conhecidas e uma das poucas que foi explicada pelo próprio Jesus aos apóstolos. Diz o texto latino: “Ecce exiit qui seminat seminare.” (Eis que saiu aquele que semeia para semear). Esta parábola traz à tona alguns assuntos bastante intrigantes para nós, dentre os imensos desafios colocados ali por Jesus.


Primeiramente, gostaria de lembrar que nós todos um dia fomos 'seminados'. Isto é, fomos lançados como sementes. A instituição do Seminário foi criada no Concílio de Trento para semear novas sementes do sacerdócio ministerial. Nós continuamos a ser essas sementes, mesmo não tendo permanecido na vida religiosa, porque a semente da Palavra de Deus, uma vez lançada em nós, continua frutificando. É como se a semente que foi lançada em todos nós, saindo do Seminário, tivesse sido transplantada para outros campos, pois as nossas raízes continuam lá, essa é uma constatação que se reforça a cada novo encontro, a cada conversa do grupo.


A primeira leitura, do profeta Isaías (55, 10, 11), atesta que a Palavra de Deus é sempre eficaz. Na leitura litúrgica de ontem, sábado (Is 6, 6), o Profeta relatava de que modo a “semente” foi lançada em sua pessoa: estando em oração diante do altar em oração, um querubim retirou uma brasa do turíbulo e tocou com ela em seus lábios. Aquele foi o sinal e aquela foi a unção que o transformou em profeta. As palavras proferidas pela sua boca, dali em diante, se revestiam da mesma autoridade da palavra divina. E as profecias de Isaías são conhecidas pela sua precisão e seu detalhamento.


Na segunda leitura, de Paulo aos Romanos, o Apóstolo anseia pela manifestação dos filhos de Deus. “Toda a criação [diz ele] está esperando ansiosamente o momento de se revelarem os filhos de Deus…” pois “ela espera ser libertada da escravidão da corrupção e, assim, participar da liberdade e da glória dos filhos de Deus.” (Rm 8, 21) Ora, como será essa manifestação ou essa revelação dos filhos de Deus? Será através do testemunho que os seguidores de Cristo farão, pondo em prática os seus mandamentos diante da sociedade, que está gemendo como a mulher diante das dores do parto, aguardando os frutos do Espírito. Estes se manifestarão através de nossas palavras e ações e isso acontecerá quando os cristãos, cumprindo os mandamentos de Jesus, se tornarem iguais ao fermento na massa, fazendo germinar os frutos da Palavra de Deus. Diz o apóstolo Paulo que, na verdade, “toda a criação” está ansiando por este momento, porque através da mensagem de Jesus, também a natureza ficará libertada da corrupção e da morte. Paulo reforça, desse modo, a profecia de Isaías a respeito da eficácia da Palavra de Deus, segundo a qual, assim como a chuva que cai, a Palavra de Deus fará fecundar a terra e germinar as sementes plantadas. As duas primeiras leituras, portanto, desembocam na imagem da semeadura e na atividade do semeador.


Passando ao tema do evangelho de Mateus (13, 1-23), abordando ao assunto da semeadura na conhecida parábola de Jesus, podemos nos concentrar em dois pontos importantes.


Primeiro, é o fato incomum de trazer o evangelista a explicação da parábola, feita aos apóstolos pelo próprio Jesus. É de se supor que essa fosse uma prática comum, quando o grupo dos apóstolos retornava, com Jesus, das atividades do dia e se recolhiam para a refeição noturna e o descanso, momento em que Jesus conversava em particular com eles. Embora os evangelhos não tragam essas explicações em relação às demais parábolas, tal prática devia fazer parte da estratégia pedagógica de Jesus.


Deduz-se isso do seguinte detalhe: quando os discípulos perguntam a Jesus “por que você fala às pessoas em parábolas?”, isto é, por que você não fala logo claramente para todos? E Jesus responde: “porque a vós foi dado o conhecimento dos mistérios do Reino dos Céus, mas a eles não é dado," para que olhando, não vejam, e ouvindo, não entendam. E aqui, Jesus retoma uma queixa do profeta Isaías: “Porque o coração deste povo se tornou insensível e ouviram de má vontade e fecharam seus olhos..." minha gente, isso é muito duro. Então, Jesus já estaria previamente condenando os judeus, porque não quiseram aceitá-lo e reconhecê-lo como o Messias? Não creio que fosse isso, mas sim que Jesus já sabia dos acontecimentos futuros e via que já não mais adiantava tentar dialogar com os judeus, eram um caso perdido.


Essas palavras duras de Jesus, certamente, não se dirigiam àquele povo judeu que o acompanhava, o povo simples, mas aos seus chefes, aos seus sacerdotes e doutores, pois no meio daquelas pessoas simples que o ouviam, havia os infiltrados, os olheiros. Quanto ao povo de boa fé, Jesus estava preparando os apóstolos para, depois, continuarem a disseminar os seus ensinamentos, tanto àqueles que o ouviam e também aos outros, que não tiveram oportunidade de ouvi-lo. Ele estava literalmente lançando a semente. Essa semente ainda precisava medrar e desabrochar, mas já ficou lançada. Podemos dizer que os judeus seriam aquele terreno pedregoso ou espinhoso, onde ele já sabia que a semente não iria germinar. Mas lançou também por ali, porque no meio de todo terreno pedregoso sempre há alguma porção de terra, no meio dos espinhos há sempre algum espaço livre e assim a semente poderia germinar. Ou seja, Jesus não estava de antemão condenando os judeus, mas não queria desperdiçar seu tempo (que ele sabia ser curto) com um auditório que teimava em não compreender. Deixaria esse trabalho de reforço para os seus apóstolos. Trazendo isso para a nossa realidade, precisamos cuidar para que o nosso coração também não se torne rígido e insensível, para que o nosso orgulho e a nossa arrogância não nos transformem nesses terrenos pedregosos e espinhosos, inadequados para a semeadura, tal como outrora se apresentaram os judeus.


O segundo ponto importante a destacar é aquele em que Jesus nos deixa ainda mais intrigados, quando diz: "Porque a vós foi dado o conhecimento dos mistérios do Reino dos Céus, mas a eles não é dado. Pois à pessoa que tem será dado ainda mais, e terá em abundância; mas à pessoa que não tem será tirado até o pouco que tem." Minha gente, isso é muito cruel. Então, ao que tem alguma coisa, será dado mais; ao que não tem, até o pouco que tem será tirado. Onde ficou a misericórdia do coração de Jesus na hora de dizer isso? Parece uma atitude incoerente com os seus ensinamentos.


Pois bem, eu entendo isso como um grande desafio que Jesus colocou para os seus discípulos daquele tempo e coloca para nós hoje também. Os dons recebidos por cada um de nós, quando bem administrados, se multiplicam; quando não se tornam produtivos, são retirados. A misericórdia de Deus não alcança aos que deixam de corresponder aos dons recebidos. Ele diz: alguns produzem 100:1, outros 60:1, outros ainda 30:1, mas tem de produzir algo. Nós cristãos temos essa grande responsabilidade de demonstrar 'produção' dos dons recebidos.


Essa forma de falar até lembra um jargão do universo capitalista, obcecado pela ideia da produção, mas obviamente Jesus jamais se referia a isso nesse sentido. Produzir é frutificar, frutificar é ser exemplo, então a produção aqui significa ser sal e ser luz, como Ele disse em outra passagem. Por outras palavras, produzir significa fazer a diferença. Então, não basta ser cristão 'da boca pra fora' declarando isso a todo instante, pois o ser cristão tem de se manifestar em ações e atitudes. Não basta dizer: Senhor, Senhor... não é suficiente orar no recôndito do seu ser, jejuar, fazer penitência em sigilo, cantar louvores bonitos, rezar o terço da misericórdia... Tudo isso é importante, sem dúvida, mas será vão se não frutificar, se não se transformar em sal e luz, se não fizer aquela diferença que faça alguém reconhecer no seu agir o comportamento de um discípulo de Cristo.


Este é o nosso desafio cotidiano. Que Deus faça todos os nossos esforços convergirem para uma competente superação desse desafio.


Cordial abraço a todos.

Antonio Carlos

domingo, 5 de julho de 2026

COMENTÁRIO LITÚRGICO - 14 DOMINGO COMUM - 05.07.2026

 

COMENTÁRIO LITÚRGICO – 14º DOMINGO DO TEMPO COMUM – A EXALTAÇÃO DA HUMILDADE – 05.07.2026


Caros Confrades:


Na liturgia deste 14º domingo do tempo comum, o tema das leituras se concentra na exaltação da humildade. Jesus diz no evangelho: eu te louvo, ó Pai, porque ocultaste essas coisas aos sábios e poderosos e as revelaste aos pequeninos. Na carta aos Romanos, o apóstolo Paulo faz o contraponto entre a vida segundo a carne e a vida segundo o espírito, dizendo que viver segundo a carne conduz à morte, enquanto viver segundo o espírito produz a vida eterna. A vida segundo o espírito é a vida na humildade. É importante destacar o contexto histórico da sociedade romana da época de Paulo, quando o apogeu do domínio político dos romanos havia construído uma vida social próspera e luxuosa, levando as pessoas a valorizarem as pompas, as honrarias, os banquetes, a ostentação, os prazeres carnais. Paulo divulgava o cristianismo entre a alta sociedade romana, não entre os plebeus e os operários, por isso ele recomenda a eles a vivência sóbria, a austeridade, a renúncia aos bens materiais. No evangelho de Mateus, Jesus explica isso que Paulo chama de viver segundo o espírito, recomendando aprender com Ele a mansidão e a humildade, que Ele garante terem um peso leve e suave, que não onera quem as pratica.


Na primeira leitura, colhida do profeta Zacarias (Zc 9, 9-10), o Profeta faz uma referência ao futuro Messias como o rei da humildade. Este profeta viveu na época pós-exílica, quando os judeus haviam retornado da Babilônia e estavam reconstruindo Jerusalém e o seu templo. Por isso, ele adverte o povo dizendo: “Exulta, cidade de Sião! Rejubila, cidade de Jerusalém! Eis que vem teu rei ao teu encontro; ele é justo, ele salva; é humilde e vem montado num jumento, um potro, cria da jumenta.” É impressionante como o Profeta, tendo vivido mais de 500 anos antes de Cristo, conseguiu traçar um perfil do Messias com características tão próximas da realidade. A entrada de Cristo em Jerusalém, que é comemorada no Domingo de Ramos, foi a concretização dessa profecia de Zacarias. E a outra descrição realista do Messias que ele faz diz respeito à sua humildade. Em contraposição com os reis daquele tempo, que viviam na pompa e na ostentação e andavam em montarias vistosas, Zacarias afirma que o verdadeiro rei de Jerusalém praticará a humildade e andará em um jumento, que era a montaria das pessoas pobres. Uma outra descrição profética muito realista de Zacarias está no versículo 10, quando ele diz “Seu domínio se estenderá de um mar a outro mar, e desde o rio até os confins da terra”, uma clara referência à universalidade do reino de Deus, que seria pregado por Cristo vários séculos depois. Observa-se neste pequeno trecho do profeta o mesmo tema do evangelho, onde Cristo vai anunciar a mansidão e a humildade como sendo as características do comportamento d'Ele e a sua proposta de vida para todos os cristãos.


Na segunda leitura, de Paulo aos Romanos, o Apóstolo não fala diretamente no tema da humildade, mas faz a contraposição das duas formas de viver: segundo a carne e segundo o espírito. Destas duas, a opção de viver segundo o espírito é o seguimento do evangelho de Cristo, que é o tema da catequese paulina para as novas comunidades de convertidos. Convém lembrar que Paulo tinha estudos da cultura grega e entre os gregos naquela época histórica estavam em grande voga as filosofias éticas do autocontrole, da renúncia às coisas materiais, seguindo a doutrina dos discípulos de Sócrates, em especial a tese do estoicismo, que pregava a moderação e a ataraxia (imperturbabilidade). Essas doutrinas tinham muita aceitação entre os romanos e, de certo modo, ajudaram na catequese de Paulo porque havia muitas semelhanças entre a doutrina estoica grega e a doutrina cristã. A diferença entre ambas é que o objetivo do estoicismo era apenas a felicidade terrena, enquanto o cristianismo ensinava a felicidade espiritual, aquela que continua depois da morte. Apenas para explicar melhor o termo “ataraxia”, isso significava a supressão do desejo, não se deixar seduzir pelas coisas materiais. Segundo os seguidores de Sócrates, o desejo é sempre fonte de sofrimento e angústia, porque as pessoas alimentam desejos de coisas muito além daquilo que de verdade podem conseguir, então isso traz angústia e sofrimento. Desse modo, se a pessoa conseguir controlar os seus desejos, limitando-os com moderação às suas possibilidades reais, então grande parte dos sofrimentos poderão ser evitados. Daí o ensinamento de Paulo para não viver segundo a carne, nem no que diz respeito à ostentação, ao luxo e aos prazeres materiais como muitos romanos faziam, nem tampouco a prática da moderação apenas por razões filosóficas ou sensoriais, mas em lugar disso, os romanos devem viver segundo o espírito, ou seja, segundo o evangelho de Cristo. Paulo foi beneficiado por essa vantagem, quando pregou o evangelho para a classe culta romana, porque a doutrina estoica era bastante conhecida e aceita entre os intelectuais. A sua tarefa consistiu em ensinar aos Romanos a prática da humildade segundo o modelo proposto por Cristo, diferente do modelo socrático. Nesse sentido, o ensinamento de Paulo “se viverdes segundo a carne, morrereis”, isto é, se praticardes a humildade e a moderação apenas buscando a felicidade material, isso não vos livrará da morte; contudo, se viverdes segundo o espírito, isto é, se fizerdes isso pelo espírito de Deus que habita em vós, então ganhareis a vida eterna. Esse dualismo corpo-espírito foi muito importante na cultura grega e influenciou de modo muito forte também a cultura romana, nos inícios da era cristã, encontrando-se ainda hoje enraizado no cerne da cultura ocidental.


Na leitura do evangelho de Mateus (Mt 11, 25-30), temos diversas referências de Cristo à humildade e em contraposição ao orgulho e à soberba. “Eu te louvo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequeninos.” Diferentemente da pregação de Paulo, que se dirigia à classe culta romana, a pregação de Cristo era dirigida aos pobres, ao povo das periferias. Os “sábios e entendidos” referidos por Cristo são exatamente os fariseus, os escribas, os judeus cultos, doutores da lei, que não quiseram ouvir a Sua palavra e, por isso, não conheceram a Sua verdade. Ao contrário, os pequeninos que lhe davam atenção foram os grandes beneficiados, diante do orgulho dos sábios daquela sociedade, os que tiveram acesso à revelação das verdades divinas. Jesus está mostrando aí a superioridade da humildade sobre a soberba. Aos humildes, a verdade se apresenta; aos soberbos, aos que se consideram donos da verdade, ela se oculta. É interessante observarmos como esse ensinamento de Cristo é sempre atual, não se aplicava somente aos fariseus do seu tempo. Em todas as épocas, os entendidos sempre tiveram dificuldade de compreender e aceitar as verdades cristãs. Mais do que isso, muitas vezes os intelectuais tentaram manipular os ensinamentos de Cristo ajustando-os aos seus interesses. Isso aconteceu, inclusive, dentro do ambiente eclesiástico, onde surgiram diversas doutrinas divergentes, que foram consideradas heréticas. E hoje esse fenômeno está presente quando as pessoas se aproveitam da ignorância e da boa fé do povo mais simples e os conquistam para suas “igrejas” particulares, que são, na verdade, instrumentos de dominação das pessoas através da fé. O que estes pregam não é a verdade de Cristo, mas a verdades deles mesmos.


A última parte da leitura contém uma referência bem direta aos fariseus daquele tempo, quando Jesus diz “Vinde a mim, todos vós que estais cansados e fatigados sob o peso dos vossos fardos”. Sabemos que os fariseus e os sacerdotes judeus interpretavam a lei de Moisés de um modo extraordinariamente rígido e a transformavam numa série de preceitos, que continham mais de 600 proibições. Diversas ações eram catalogadas como contrárias à lei e deixavam impuro que as praticasse. Então, para os fariseus, o cumprimento da lei era algo pesado, tedioso, difícil. Por isso, Jesus vem dizer que não é preciso fazer assim, os fariseus não conhecem a verdade, somente Ele está autorizado a revelar os verdadeiros preceitos da lei, porque “somente o Filho conhece o Pai e aquele a quem o Filho quiser revelar”, e Ele revela isso aos simples e aos pequeninos. Daí ele dizer aos seus ouvintes para que não se impressionassem com aqueles exageros dos fariseus e viessem segui-lo, porque “o meu jugo é suave e o meu fardo é leve.” E Jesus se coloca como exemplo a ser seguido: “aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração”, isto é, o cristão deve ser manso e humilde. Este é o ponto em que a leitura do evangelho cruza com a carta de Paulo aos Romanos, quando ele exorta aquele povo a “viver pelo espírito de Cristo que habita em vós”. Viver segundo o espírito de Cristo é viver com mansidão e com humildade.


Então, meus amigos, Jesus nos ensina que a lei de Deus é uma coisa simples, nós é que a complicamos com certas interpretações tendenciosas. Isso se refere especialmente aos teólogos, que perdem a noção da humildade e retiram da palavra de Deus interpretações desviadas. Isso se aplica também aos leitores da Bíblia sem o devido preparo, sem o necessário estudo. Podem ter certeza de uma coisa: quanto mais complicada for uma pregação, mais está afastada do verdadeiro sentido do evangelho, porque este é dirigido aos pobres e aos humildes e a sua compreensão deve sempre está próxima da simplicidade.


Com um cordial abraço a todos.

Antonio Carlos.